ENTREVISTADO: BOB BAHLIS

ENTREVISTADORAS: VERA AMARAL E ANGELA PONSI

Angela Ponsi: Como nasceu a ideia de fazer este espetáculo?

Bob Bahlis: Era janeiro de 2020, alguns familiares meus estavam na Europa, quando li, pela primeira vez, a respeito do médico chinês que alertou o mundo do surgimento de um novo vírus letal. Avisei, na mesma hora, meus familiares que estavam num dos locais turísticos mais visitados do mundo. Eles chegaram em Porto Alegre pelo dia 19 de janeiro. Veja como foi rápido o contágio, pois no carnaval já se falava muito sobre isso, e em Março explodiu a epidemia na Europa.

Vera Amaral: Tu estavas em cartaz no Festival Porto Verão Alegre?

Bob Bahlis: Sim, estava com quatro espetáculos na programação e estava re-ensaiando o espetáculo “Tedy, o amor não é para amadores”, com o ator gaúcho Cristiano Garcia, radicado no Rio de Janeiro. Fiquei inspirado com o talento do jovem ator. Eu dizia aqui em casa: “Hoje tenho ensaio com o Menino do Rio”.

Ao mesmo tempo, havia um conto do Guimarães Rosa, “A terceira margem do Rio”, que sempre imaginei montar; faz anos que este conto me assombra. Em 2017, eu adaptei o conto do Guimarães e convidei o ator Daniel Topanotti, que faz comigo a peça “Um Certo Capitão Fernando”, mas, no final, não rolou. Tenho cinco textos escritos na gaveta. Às vezes eles acontecem em outro momento, sabe?

Numa noite de janeiro, cheguei do teatro e pensei na pior possibilidade de todas, um homem isolado numa canoa, parado no meio de um rio, vivendo isolado de tudo e de todos, num mundo apocalíptico. Um novo menino do rio.

 

Angela Ponsi: Pensa em realizar o espetáculo durante a quarentena?

Bob Bahlis: Penso, sim, acho que os teatros vão demorar para reabrir.  Já venho imaginando como serão os ensaios, já que é um monólogo. Tem 13 páginas. Imagino trabalhar também com projeções no chão e silêncios entre as correntes coloridas que existem neste rio. Mas apenas uma delas é estática, parada, onde o personagem se encontra. Acredito que a peça terá 60 minutos no total, mas ainda nem parei pra pensar em quem faria a personagem. Talvez este “deus-ex-homini”, seja uma mulher, sabe-se lá...

Vera Amaral: Demorou quanto tempo para escrever esta história?

Bob Bahlis: Uns 15 dias, mas é o primeiro corte do texto que está disponível aqui no site “Conversa de Risco”. Depois, quando entrarmos no processo de criação, tudo pode mudar de rumo. O ator acaba trazendo sua visão e novos caminhos surgem. Deixo a coisa acontecer. Se não, entro em sofrimento.

* Faça sua inscrição no site e receba por e-mail o texto da peça "Deus-ex-homini"!

ficha técnica

Texto e direção geral: Bob Bahlis.

Elenco: Angela Ponsi e Vera Amaral.

Artista convidado: José Henrique Ligabue

Finalização: Lui Felippe

Design gráfico e web design: Angela Ponsi

  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube

contact us

Mail: bobbahlis@gmail.com

Watsapp: 992186068